É possível que doutrinas divergentes ao sistema social vigente sobrevivam?Há lugar para o socialismo em meio a tanto materialismo? Normalmente alguém diria que essas questões são irrelevantes já que há espaço para todas as formas de pensar, pois fazemos parte de um mundo democrático. Porém, antes de responder a essas perguntas aparentemente tão simples, pense bem: como um socialista, comunista, ou adepto de qualquer outro pensamento semelhante viverá em uma sociedade repleta de materialismo se não for aceitando o próprio sistema? Ser democrático é aceitar para sobreviver?
A sociedade é excludente. Somos meros coadjuvantes do nosso próprio sistema. Somos separados por favelas. Observamos passivamente toda a disparidade econômica. Deixamos-nos enganar por promessas e somos inertes ao perceber tudo isso. Então, como é possível coexistir em um mundo em que os dogmas do consumismo se sobrepõem ao coletivo, ao comunitário?
Qualidade de vida tornou-se sinônimo de riqueza e poder. Afinal: trabalhamos para viver ou vivemos para trabalhar? Onde estará a felicidade se não no final do mês ao receber o salário? Qual a maior tristeza para um pai se não a de dizer ao seu filho que não tem dinheiro para comprar o seu brinquedo de natal? Que frustração é maior para um estudante se não a de não conseguir um bom emprego ao final de sua graduação? Diante de tantas indagações faço a principal pergunta: é a felicidade que traz a riqueza ou a riqueza que leva à felicidade? E onde está o amor pelo que faz?
O poder não é só dado pelo nível aquisitivo e os sorrisos não são frutos do que foi consumido. O poder a que me refiro não é a forma de se impor sob outrem, mas sim a capacidade de ver beleza onde ninguém ver. Tem poder aquele que através da sabedoria sabe fazer sorrir com o mínimo de dinheiro. Tem poder aquele que consegue ser feliz acima de qualquer imposição dada pelo seu ambiente social.
Vivemos em shoppings – os chamados: “templos do consumismo”-, e esquecemos-nos do quão bela é a vida fora daquelas muralhas. Compramos sem saber o real valor útil do produto. E diante desse panorama, como alguém que não siga esses preceitos pode viver se em todo virar de cabeça percebe-se mais um indivíduo refém do seu próprio sistema? Ele é esquecido. É um estranho no ninho. É a velha história de que o maior dos comunistas, se no fundo não é, tornar-se-á um dia capitalista.
Fazendo uma introspecção acerca de tudo isso, constata-se que cada vez menos existem pessoas capazes de observar a beleza do mundo fora do universo do dinheiro. Não me refiro apenas à beleza da natureza, mas a própria beleza do ser humano. Ficamos cegos, pois deixamos de ver o que as pessoas têm de melhor. O nível financeiro não pode medir valores.
E o Natal? Só merecemos presentes, reuniões em família, trocas de afeto, uma vez por ano? As pessoas deixam seus familiares em casa para irem em busca de presentes. É difícil contentar uma criança só com abraços quando ela vê seus amigos ganhando brinquedos. Não existe maior presente do que o de estar perto de quem se ama. Então isso deveria ser valorizado, não em uma data específica, mas em todos os dias do ano.
Este é o primeiro post do meu mais novo blog: criticologoexisto.wordpress.com. Entrem e confiram.
A minha maior dúvida, na verdade, é: Como é possível que este caos atual sobreviva?